Me Afino em Acordes Alterados
Zelia

Duncan
"Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual porque, sinceramente, sou diferente." (Clarice Lispector)
Sou como você me vê.
(...)Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante (...)
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar.(...)" Clarice Lispector

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Morte NÃO É um problema pra mim, a Vida muitas vezes: SIM.



A morte não é um problema pra mim isso desde que me entendo por gente e isso começou aos cinco anos de idade. Daí pra frente a Vida era um mistério sim.  Todos os dias a pequena que eu era, cismava como dizem os poetas. Eu tolinha  cismava que um dia entenderia porque as pessoas se desesperam tanto com a morte e vivem a vida que é mais longa, de forma incoerente e irresponsável.                       Era comum eu ficar ouvindo e olhando quando os adultos cuspiam falando com a gente criança e apontando o dedo como se entendêssemos diziam (gritavam) : - Um dia eu vou morrer e você vai sentir remorso, vivo essa vida por sua causa!
 Como assim? Pensava eu e uma vez dei de ombros... -O resultado? Apanhei como adulta. Mas meu sacudir de ombros apenas queria dizer :- Ué, se morrer, não vai saber o que acontecerá por aqui.
Nunca tive dessas coisas de ficar me achando culpada por questões que não sou eu quem controla: a Vida as vezes controlamos. A Concepção de um novo ser, sim controlamos, basta estar atento. Mas o Morrer? Realmente nunca perdi tempo pensando como seria minha vida quando alguém que eu amasse fosse embora de vez.  Ainda hoje minha política de vida, sim política, acharam mesmo que eu diria filosofia? Nunca.Pois bem, minha política de vida e fazer a minha parte. Ficar junto dos que amo enquanto permitem, pois nem sempre somos bem vindos ou bem queridos.
A vida deixou o corpo do meu irmão Rogério, na última semana. Homem valente. Trabalhador como nosso pai. Sabia ser sofisticado quando necessário. Trabalhava de terno e gravata se necessário fosse. Encarava um computador com elegância. Formou-se em eletrotécnica, era dos bons. Mas nem por isso deixava de bater uma laje, ser ajudante de pedreiro, pintor ou mesmo carroceiro durante os períodos de greve da companhia de limpeza que assolou SG/RJ. Ele bem cedo pegava seu carrinho de mão e lá ia defender seus trocados atendendo as madames que nervosas pagavam pra ter o lixo acumulado levado. Esse Moço bonito, era galante como ele só. Conquistador danado! Dono de uma lábia que poucos dominam tão bem. Porém cedo, ainda moleque não suportando o espancamento diário da mãe e irmãs; aprendeu o Moço a se Isolar,para também não apanhar; eu que já casada não fazia mais parte desse episódio. Mal sabia ele que o isolamento é o pior dos companheiros, pois quem o tem;  isolado se distância de si mesmo. Escrevi um texto que falo que 'Nasci sozinha'. Nasci mesmo, não tinha gente pra ajudar minha mãe a parir, mas eu tinha a mim mesma e dei um jeito de sair e cair na esteira. Durante meus cinquenta anos, apesar de gostar de solidão, procuro estar perto de gente gente estranha, gente conhecida e especialmente gente que amo e respeito. Contrário ao que vivo e sinto foi meu irmão que foi encontrado em casa, Sozinho e sem Vida. Ficou ali isolado, sem Vida por dias... um, dois, três, quatro... talvez mais não sei... A morte dele não era desejada, porém aconteceu, é fato. Você e eu também morreremos, porém a ideia dele ter ficado ali sem vida por dias e dias; isso me trás e trará sofrimento sempre... Enquanto esteve morando conosco por quase ou mais de um ano, eu acordava quase todas a noite para olhá-lo dormindo. Essa foto exposta é desse tempo...
Quarenta anos é pouco tempo pra se viver e  muito tempo para deixar algum ensinamento. 
A frase que cabe e que me vem à mente é" O ser humano pode viver sem sexo mas nunca sem afeto".
Todos nós cinco irmãos: quatro mulheres e mais um homem, cunhados e cunhadas, todos os sobrinhos e sobrinhas, todos fizemos a nossa parte. Cada um a seu tempo ficou a seu lado. 
Poucos não entendiam o drama que ele vivia. A maioria sentia na pele e no coração a incapacidade de ajuda-lo mais. Foi desse  tempo chamado presente, um Homem de Bem, com sua deficiência que a morte não vai atenuar. A quem ele agrediu e ofendeu, sua morte não vai amenizar. Aos que o achavam um fardo o alivio em fim chegou. Ahhh... Mas aos que ele fez bem não haverá conforto.
As mulheres que fez feliz na cama, essas serão secretamente suas viúvas, bem como filhos e filhas que nem chegou a saber serem seus; órfãos deixou. Aos amigos que fez por toda parte, dele jamais se esquecerão. Grande goleiro! (dirão). Pra nós família a realidade é cruel: nossos pais já partiram, eramos seis irmãos e agora somos apenas cinco, faltará pra sempre um pedaço de nós.
Optei por não me despedir dele em uma caixa, prefiro essa foto que foi de um tempo que sei ele conosco feliz foi.Por isso reafirmo com convicção que: A morte não é um problema pra mim.   " Não esperem que eu me desmanche em sofrimento e culpa, pois faço hoje consciente tudo pelos que amo em sinceridade e verdade. "Não me curvo a covardia e Jamais deixarei para  para Chorar ou Sofrer sobre o corpo sem vida dos que Amo. Sou Mulher assumidamente do Hoje (presente). Corei e sorriam comigo e por mim agora que posso ver,sentir e retribuir. Depois? Não."                                                                      Catia Helena de Oliveira                     sábado 21:22 de 15 de setembro de 2012





Meu Livro Novo!Informações pelo email;catiaho@hotmail.com

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reciprocidade

Você que vai, foi ou está no consultório
médico. Você que ri e chora tendo vez
que chora mais do que pode sorrir tem
mais é que vencer a força do tempo que
age sobre todas as coisas e se possível
transformar o imutável.
Um minuto de felicidade deverá ser
transformado ou entendido como uma
vida inteira de alegria e, se acaso o
pranto lhe chegar aos olhos, entenda-o
como chuva de verão que vem, molha um
pouco, eu sei, mas não perdura. Vem,
tempera a terra e vai embora.
Este momento em que você, ansiosa,
espera pelo diagnóstico do seu médico
não é pior do que um vento que sopra a
sua saia, desalinha os seus cabelos, beija o
seu rosto e segue em frente.
Não admita a ideia do sofrimento
antecipado ou, mesmo que doa à beça, não
sofra porque o hoje, mais cedo ou mais
tarde ficará no esquecimento do passado.
Ria, portanto, sofra se não morrer, mas não
chore porque a vida é bela e o mal não faz
sentido.

silvioafonso.

2209010