Me Afino em Acordes Alterados
Zelia

Duncan
"Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual porque, sinceramente, sou diferente." (Clarice Lispector)
Sou como você me vê.
(...)Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante (...)
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar.(...)" Clarice Lispector

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Choro minha mãe...(Post 3)

Choro minha mãe

 que também sem me chamar e mandar aprender,mas vivendo o dia a dia me mostrou como é ser mulher, esposa e mãe.Na verdade  mostrou como ser mãe, como ser esposa , mas ensinou muito mais a como não se deve ser.
Com ela, aprendi a manter uma casa limpa e arrumada, a passar uma camisa social,ensinou como manter uma família satisfeita, bem alimentada, bem cuidada.Com ela aprendi que mãe não tem direito a nada,nem tinha percebido que tinha assimilado isso, levei um susto em 2006, quando me dei conta.
Choro por não tê-la por perto hoje para conhecer a bisneta, em quem certamente se veria, não como era, mas sim como deveria e podia ter sido desde cedo, porque é uma menininha de atitude desde que saiu do ventre da mãe :atitude.
Tenho certeza que ela olharia Ana Clara, fechando a boca pra chupeta que teimam em enfiar em sua boca e diria :
é assim que deve ser, se ela pode eu posso também.
Mas não deu tempo. Vítima de um traumatismo craniano devido a um  acidente que nunca saberei de fato o que houve, o fato é esse acidente a levou de vez depois de uma semana em coma.Não sei, outro dia, falávamos eu e silvio; ele disse que não tenho o direito de dizer se minha mãe foi ou não feliz.Discordei. Alias discordo de todos sempre na primeira afirmativa, é um direito que me dou.             
Discordar primeiro; só depois reflectir.Refletindo enquanto digito esse texto, digo que ele tem razão no que diz. Pois minha mãe nunca foi uma mulher de atitude.Ela deixava a vida conduzi-la...6 filhos  com intervalo de 1 ano em cada, 3 abortos e só foi quando eu ja tinha meus 15 anos foi que um dia depois de apanhar a vida toda, olhou meu pai bem nos olhos e disse:Chega. De hoje em diante se me bater leva.           Ele acreditou, pois nunca mais tentou bater nela. Era o tempo, mas ja era tão tarde...Voltando a conversa com silvio, ele tem razão porque há pessoas que se permitem se felizes onde ninguém vê ou percebe.Como vou saber se por ela nunca ter sorrido, não era feliz? Ou se por nunca se ter permitido se divertir ou fazer algo irresponsável.   O fato é que ele tem razão: não tenho como saber, não mais. Sei que um dia lembrei que não tinha dado a mim, a oportunidade de tentar estar próxima a ela. Foi quando voltei a trabalhar fora e todo meu salário de professora de artes e educação religiosa dava integral a ela, para que pagasse seu isso. Procurei nesse tempo estar com ela, todos os dias. Pedir ou tentar pedir todos os colos que não tive na infância. Foi um otimo tempo, senti-me fazendo a coisa certa. Levá-la pra passear, fazíamos coisas  juntos, os netos forma netos e ela foi avo, sogra e mais que isso a mãe que puder ter.Assim um dia ela saiu escondido de mim, morava em outro bairro, foi pra Teresopolis, lá caiu e morreu 5 dias depois. Tive a oportunidade  de tira-la da pedra, vesti-la e arruma-la para o momento da despedida, cuidei das flores, refiz sua ultima maquiagem, coisa que nunca usara...mas nesse dia derradeiro usou... estive com ela até o momento da partida,aquele em é o ultimo que os olhos podem contemplar.Não chorei, fiquei firme para cuidar dos 5 que se derramavam diante a mãe que ja partia.
Choro por ela sim. Choro todos os dias, pois foi a partir dela que me tornei as duas mulheres que lutam em mim: a que não sou e que acham de devo ser e a que nasci pra ser.Certamente ela não aprovaria a que nasci pra ser, mas seria essa que eu faria questão  que aprendesse a respeitar e a conviver.
Choro e chorarei minha mãe sim. Choro todos dos dias sim.Mas chorarei tambem por não ter tido tempo para mostrar-lhe, vivendo, como é viver entre sonhos e delírios
Catiaho Reflexo d'Alma

Meu Livro Novo!Informações pelo email;catiaho@hotmail.com

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reciprocidade

Você que vai, foi ou está no consultório
médico. Você que ri e chora tendo vez
que chora mais do que pode sorrir tem
mais é que vencer a força do tempo que
age sobre todas as coisas e se possível
transformar o imutável.
Um minuto de felicidade deverá ser
transformado ou entendido como uma
vida inteira de alegria e, se acaso o
pranto lhe chegar aos olhos, entenda-o
como chuva de verão que vem, molha um
pouco, eu sei, mas não perdura. Vem,
tempera a terra e vai embora.
Este momento em que você, ansiosa,
espera pelo diagnóstico do seu médico
não é pior do que um vento que sopra a
sua saia, desalinha os seus cabelos, beija o
seu rosto e segue em frente.
Não admita a ideia do sofrimento
antecipado ou, mesmo que doa à beça, não
sofra porque o hoje, mais cedo ou mais
tarde ficará no esquecimento do passado.
Ria, portanto, sofra se não morrer, mas não
chore porque a vida é bela e o mal não faz
sentido.

silvioafonso.

2209010